Tuesday, June 23, 2009

Dombate
























in Cassen & Vaquero, 2003: Cosas Fabulosas

RESUMO Estas são ideias sobre a arte parietal dos
sepulcros neolíticos da costa ocidental europeia e
sua análise a partir da arqueologia pré-histórica.
Revemos a ordem e as designações das figuras
gravadas nos ortóstatos que integram as
arquitecturas megalíticas no Oeste de França.
Isolamos uma situação para a qual as
classificações arqueológicas habituais oferecem
respostas que não são convincentes. Referimo-nos
a motivos cuja designação deriva ou de uma
leitura iconográfica peculiarmente contextualizada
ou do simples desejo ou conveniência de
enquadrar a figura isolada de entre o conjunto das
observadas. Escreveremos sobre o exemplo que
tais estratégias não só não esclareceram como,
pelo contrário, a tornaram parte da fossilização
de um consenso sobre um conhecimento bufo,
no qual se entrincheirou uma paralisia que
pensamos escudada na recusa dos excessos
e das imprecisões arriscadas numa interpretação
alternativa de carácter nitidamente simbólico.
Consideramos que tal situação legitima os riscos
da nossa proposta. Trataremos de analisar o
motivo extremo, particularmente obscuro, da
chamada arte parietal do megalitismo ocidental
e conhecido como “hache charrue”. Ao mesmo
tempo que o revemos enquanto ícone,
estudaremos o seu contexto a partir de diversas
perspectivas e escalas. Definiremos a natureza
em que se insere a arquitectura que o contém,
apresentaremos o traço arquitectónico que
organiza os elementos pétreos sobre os quais foi
gravado. Desmontaremos os diferentes traços
da figura. A partir de tudo isto, oferecemos a
imagem original e selvagem que se oculta nessa
representação, como irão comprovar,
extremamente próxima e surpreendentemente
afastada de um olhar directo sobre o signo.
Afastada, se o contexto for preconceituoso e a
atitude quietista. Próxima, se o olhar for límpido
e abstracto.
Mas as características do estudo permitem, e
talvez exijam mesmo, um passo mais atrevido.
Um contexto que reproduza as particularidades
do estabelecido e nos proponha para a mesma
imagem primigénia a plausibilidade de uma
representação semelhante. Um contexto que
proteja a figura. Olharemos para a Península
Ibérica e, invertendo o nosso protocolo,
constataremos como por detrás de todo o mundo
confuso, e na aparência desordenado, surge uma
mesma imagem selvagem, que transforma uma
designação estéril, “the thing”, tão esterilizante
como confortável, numa ideia geradora de uma
série de questões básicas que entendemos definir
o compromisso entre uma construção séria
e rigorosa e o conhecimento arqueológico.